sábado, 7 de maio de 2011

Trocas de arquivos e contrato social

O protocolo Gnutella (Divulgação) e compartilhamento de arquivos: ambiente de colaboração



Shawn Fanning (por Gregory Heisler) e Napster: embate jurídico com majors

O software Napster e o protocolo Gnutella podem ter características em comum? De acordo com a dissertação “Troca de arquivos par a par: Napster, Gnutella e o desenvolvimento de tecnologias de Comunicação na internet” defendida por João Martins no PPGCOM/UFF, sim. Utilizando os dois objetos, o autor aborda a atuação e as relações de agentes envolvidos no desenvolvimento de tecnologias de comunicação voltadas para troca de arquivos. É exatamente esta rota que Martins toma para responder a questão “na relação com quais significados se constrói o ambiente de desenvolvimento de trocas de arquivos?”.

Para observar as concepções e valores que orientam esta prática colaborativa, Martins faz um estudo preliminar sobre a questão judicial em torno do Napster, no capítulo 3 “O crepúsculo dos deuses: As representações sociais do caso Napster”. No decorrer dele, o autor utiliza-se de pesquisas sobre o processo movido pelas majors contra o software junto à Corte Americana do Distrito do Norte da Califórnia. A ação judicial determinou o fim de suas atividades visto que, de acordo com o julgamento, Shawn Fanning (criador do Napster) foi acusado de infração de copyright. Na visão do autor, esta tensão lida com disputas simbólicas que operam com discursos acumulados de interesses de ambas as partes.

Já no capítulo 4, ”Produzindo P2P: As dinâmicas socioeconômicas de desenvolvimento Gnutella”, Martins comenta sobre diversidade dos espaços e dos envolvidos (usuários leigos; programadores interessados no aprimoramento de tecnologias etc) no protocolo de compartilhamento de arquivos. O foco do autor é descrever como eles lidam com as noções de associação comunitária e liberdade de propriedade. Para isso, observa as ações do grupo de discussão do Yahoo! conhecido como Gnutella Developer Forum. Neste trecho, Martins faz uma análise entre o paradigma da dádiva e as ações colaborativas entre estes usuários. Porém, o autor não se aprofunda muito neste momento e apresenta a dádiva como elemento concebido: uma espécie de presente (oferecido livremente sem intenções). Por isso, a discussão obteve um caráter bem inocente.

Existem dois interesses centrais na discussão: um relacionado aos mecanismos de construção de identidades; outro que diz respeito à delimitação de estruturas sociais, envolvendo distinções e delimitações de posições em grupos virtuais. Martins contribui ao iniciar uma discussão de como este processo de afirmação de identidades se baseia em uma estrutura de significado. E como esta dinâmica poderia ser um tipo de contrato social do ciberespaço. Quem se interessa pela troca de bens culturais no ciberespaço, a dissertação dá boas diretrizes para debates sobre o assunto.

MARTINS, João Damasceno. Trocas de arquivos par-a-par: Napster; Gnutella e Desenvolvimento de Tecnologias da Comunicação na Internet. Niterói: UFF, 2003.


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