domingo, 8 de maio de 2011

Resenhas Theo Duarte

As relações entre o cinema brasileiro e a arte contemporânea a partir da Tropicália

Autora: Elizabeth Real /Ano: 2008/ (Dissertação - UFF).

Na dissertação de mestrado intitulada “As relações entre o cinema brasileiro e a arte contemporânea a partir da Tropicália”, Elizabeth Real propõe estabelecer relações entre três filmes brasileiros marcados pelo tropicalismo com as artes plásticas brasileiras de vanguarda. Dividida em três capítulos, Real intenciona situar os filmes em discussões caras a arte contemporânea, como o trabalho com a performance, a crise da noção de autoria e a identificação com a cultura popular urbana.

O trabalho busca ampliar o campo de discussão das obras, recorrendo a entrevistas com os autores, em bibliografia ampla e em análises fílmicas mais detidas.

De início, Real procura apresentar o contexto histórico a partir do qual as obras foram realizadas, inserindo certo cinema brasileiro em discussões amplas das artes do período, notadamente em certo movimento cultural comum, o Tropicalismo. No entanto, Real se afasta dos filmes notadamente tropicalistas-alegóricos, procurando alguns filmes de décadas que vão além do período áureo do tropicalismo (o fim dos anos 60). Os filmes analisados teriam algumas características comuns, sendo estas também encontradas em manifestações artísticas ligadas ao tropicalismo assim como algumas manifestações modernistas dos anos 60. Segundo a autora, ela seriam (1) o uso do improviso; (2) a não-linearidade e a indistinção de gêneros; (3) identificação com a cultura popular urbana; (4) o personagem (e a apologia) do malandro; (5) apresentariam em cena as mudanças comportamentais que ocorrem nos anos 60; (6) rompimento com uma estética de “bom gosto”

O primeiro capítulo da dissertação gira em torno do filme Câncer, de Glauber Rocha. Para a análise, a autora contextualiza e define o tropicalismo nas artes plásticas, música, cinema e teatro, procurando apresentar a evolução histórica destes campos no que poderia se relacionar com o filme. Porém, a relação com as artes plásticas é mais trabalhada, sendo o texto de Hélio Oiticica, Esquema Geral da Nova Objetividade, a principal referência teórica para a contextualização e comparação. Deste modo, a autora não apenas descreve com detalhes a evolução teórica do trabalho de Oiticica como busca outras referências históricas nas artes plásticas que contribuíram para o tropicalismo. Assim, a autora retoma uma teoria da Pop Art no que se refere a sua relação com a cultura de massa, o consumo e a banalidade do cotidiano; um panorama histórico e teórico das artes plásticas mundiais a partir do início da década de 60 no que se refere ao movimento de distanciamento de uma suposta pureza a-histórica (a bidimensionalidade, no caso da pintura) como teorizada por Clement Greenberg; os trabalhos de Andy Warhol e Marcel Duchamp no sentido de uma transfiguração do lugar comum, teorizado por Artur Danto; o caráter transgressor da Pop Art em sua indissociação entre trabalho, arte e lazer; uma breve apresentação da arte minimalista; as inflexões da Pop Art no Brasil e a Pop Art brasileira; e uma contextualização das transformações do concretismo e do neoconcretismo.

Além de questões trazidas pelas artes plásticas de vanguarda, Real retoma também algumas questões da vanguarda musical (notadamente a idéia de acaso em John Cage) e uma contextualização das artes performáticas nos EUA e no Brasil no que poderiam contribuir para uma melhor compreensão do Tropicalismo. Por fim, o próprio movimento artístico-cultural brasileiro é analisado em seu caráter teórico, como na sua reflexão auto-crítica e de percepção do subdesenvolvimento brasileiro. A antropofagia oswaldiana, retomada pelos tropicalistas como potência de atualização da linguagem artística, também é discutida.

A partir de toda esta contextualização teórica e histórica a autora discute algumas sequências do filme. São descritas e comentadas de forma bastante livre as cenas de improvisação dos atores, que são imediatamente relacionadas às propostas artísticas antes apresentadas no que possuíam de estrutura aberta, participativa e experimental.

Cremos, no entanto, que um dos problemas da dissertação se encontra nessa passagem da conceituação e apresentação histórica para a análise do filme. Alguns conceitos, como o de performance, são tidos como transparentes e não são muito bem operacionalizados na análise, servindo muitas vezes apenas como palavras que reiteram que há uma relação entre contexto e obra. Não é apenas porque há maior participação do espectador tanto na arte neoconcreta, na música de vanguarda e no filme analisado que podemos concluir que a relação entre elas é evidente e de interesse: seria preciso detalhar de quais formas o espectador participa nas diferentes obras e como elas se assemelham (ou se diferem) para que esta relação pudesse ser validada.

Neste mesmo aspecto, podemos criticar também a crença inquestionável e não problematizada da autora de que as obras artísticas modernas colocadas em jogo romperiam a posição contemplativa do espectador. Esta hipótese é dada como evidente e de nada serve a análise da obra por esta mesma razão: o filme romperia com a posição contemplativa do espectador assim como fariam as expressões artísticas que o influenciaram, ponto. Como? A resposta é vaga.

Cremos também que alguns elementos da contextualização histórica feita pela autora nada se relacionam com a obra analisada; o que podemos comprovar ao perceber que certas discussões não são retomadas. A descrição da evolução do minimalismo e da Pop Art brasileira seriam exemplos disto. Outras idéias, como a de colagem de elementos da cultura de massa ajudam a compreender o Tropicalismo como um todo, mas apenas confundem se pensadas em relação aos filmes analisados.

A dissertação, como pudemos ver neste breve resumo do primeiro capítulo, é excessivamente fragmentada, o que algumas vezes reflete em superficialidade e certa confusão argumentativa. Um exemplo disto é a forma como termina este capítulo: há uma análise de um filme posterior de Glauber Rocha que se assemelharia ao filme em questão. Porém, o que se vê são reiterações de relações e analogias que nada esclarecem e nos faz melhor compreender os filmes: entendemos somente que eles tem muitas coisas em comum e outras nem tanto, o que só faz complicar o problema logo ao fim do capítulo.

No segundo capítulo, que centra-se no filme A Lira do Delírio, de Walter Lima Jr., as referências teóricas giram em torno de questões caras ao modernismo no cinema, como as noções de indeterminação e acaso (via Noel Burch), crise da noção de autor (via Jean-Claude Bernadet) e fabulação (via Gilles Deleuze). Real discute também a questão da indistinção entre ficção e realidade, arte e vida. Neste sentido, a autora também discute a ruptura do cinema moderno com os códigos narrativos do cinema clássico em relações com certo cinema fabulatório, como o de John Cassavetes. Algumas discussões apresentadas no capítulo anterior são eventualmente retomadas.

Vemos que a introdução teórica e histórica deste capítulo é bem menos extensa que a anterior e por isso a autora acaba por posicionar seus esforços em uma análise mais detida do filme e de seu contexto específico. Assim, detalhes da produção do filme, do clima político e social da época, a recepção crítica, a relação com censura são delineados, o que contribui enormemente para um aprofundamento das questões; o que não ocorria no capítulo anterior.

Porém, alguns problemas se repetem, como a superficial explanação de operações centrais que o filme realiza.

Já algumas discussões são ou desnecessárias ou bastante questionáveis no modo como são operadas em relação ao filme. Não cremos, por exemplo, que o filme questiona efetivamente o cinema de autor. Se o faz, não depreendemos isto da análise. Mesmo assim, há uma longa contextualização da crise do autor, que ainda se desvia em outras sub-discussões a respeito de um Terceiro Cinema, dos filmes coletivos dos fins dos anos 60 e da questão do “belo” em Arthur Danto.

O capítulo termina apresentando outras discussões, que até poderiam ser trabalhadas em relação ao filme, mas que acabam por apontar apenas para si mesmas. Assim, é discutida a questão do anti-ilusionismo e reflexividade no cinema de Jean-Luc Godard e no teatro de Bertold Brecht; a definição de cinema clássico e a ruptura do cinema moderno como pensado por David Bordwell; e, por fim, a relação das artes plásticas com o cinema de... Jean-Luc Godard. Por abdução podemos compreender porque tais discussões foram levantadas; mas elas não são apresentadas de modo a melhor compreendermos o filme em questão e suas relações com o tropicalismo e as artes plásticas de vanguarda.

Já o terceiro capítulo trata das relações que o filme Exú-Piá estabelece com o Macunaíma de Mário de Andrade, com a primeira adaptação fílmica da mesma obra por Joaquim Pedro de Andrade e com a adaptação teatral de Antunes Filho. A autora também discorre sobre a presença em cena dos personagens malandros e marginais junto as conceituações de malandragem e bandidagem por Hélio Oiticica assim como discute questões relativas a identidade brasileira e antropofagia em relação ao pensamento e obra do cineasta Rogério Sganzerla.

Há também uma longa e necessária descrição das condições em que o filme foi realizado como também um longo apanhado sobre a vida e obra do diretor do filme. Ao relacionar de forma evidente e não problemática a relação entre a vida do autor e sua obra podemos nos perguntar se de fato a questão da “crise do autor” apresentada no capítulo anterior seria válida para os argumentos da dissertação. Pensamos apenas que serve para contradizer a autora.

Na descrição e análise do filme há um interessante entrelaçamento entre as diferentes adaptações de Macunaíma assim como com o conceito de antropofagia como pensado por Oswald de Andrade. Cremos que o conceito utilizado e a forma como a autora relaciona as adaptações serve aos propósitos de um aprofundamento da discussão. A dispersão posterior na obra de Sganzerla e uma breve discussão sobre Cinema Marginal, no entanto, pouco nos informa em relação ao filme em questão.

Como observado nesta resenha, a dissertação, ao tentar abarcar diversas discussões laterais acaba por comprometer os seus melhores argumentos em uma excessiva fragmentação.


Glauber Rocha, da Fome ao Sonho – Manifestos, Filmes e Fabulações Utópicos

Autor: Samuel Averbug /Ano: 2002/ (Dissertação - UFF).

A dissertação “Glauber Rocha, da Fome ao Sonho – Manifestos, Filmes e Fabulações Utópicos” de Samuel Averbug toma como base os textos teóricos de Glauber Rocha para analisar os aspectos estéticos, políticos e contextuais da obra do autor. A análise parte de três manifestos do cineasta para pensar três filmes e um roteiro não filmado. O objetivo é delinear o pensamento teórico-crítico de Glauber como pensamento estético e de intervenção e interpretação do Brasil.

Como marco teórico para esta análise, o autor, em seu primeiro capítulo, apresenta os principais conceitos da escola francesa de análise do discurso assim como as principais obras que trataram do cineasta.

No segundo capítulo têm-se uma contextualização histórica do Cinema Novo e uma análise das propostas dos manifestos glauberianos, sua teoria prática do cinema, em seus diversos contextos.

O terceiro capítulo se detém em análises de um filme realizado no exterior e em um roteiro não filmado para apresentar as idéias do cineasta em torno de um cinema revolucionário, épico-didático, de “agitação histórica”. Apresenta-se a relação entre a obra fílmica e teórica com o pensamento e obras de Serguei Eisenstei, Bertold Brecht e Jean-Luc Godard. O autor disserta sobre as diferentes versões do roteiro de America Nuestra e o contexto que impossibilitou sua realização. O projeto História do Brasil Também é detalhado tendo em vista o contexto de sua realização.

O quarto capítulo gira em torno de uma bem detalhada análise conceitual e fílmica de A Idade da Terra, último filme de Glauber Rocha. Busca-se encontrar em diversos procedimentos estéticos do filme a expressão do transe teorizada pelo cineasta a partir de sua Eztetyka do Sonho. A idéia de perfomance do transe é discutida tanto como elemento da encenação dos atores como procedimento técnico-estético que produziria efeitos ao olhar dos espectadores.

No último capítulo o autor procura relacionar o pensamento crítico-teórico de Glauber com algumas produções contemporâneas no que tange ao modo como representam o povo e o popular.

Muito bem amarrado em seu desenvolvimento, a dissertação de Averbug tem também o mérito de buscar em algumas fontes primárias, como as diferentes versões do roteiro de America Nuestra, matéria para o seu desenvolvimento. Também é meritório o delineamento do trajeto teórico-crítico de Glauber por meio de alguns filmes pouco conhecidos do diretor (como História do Brasil), mas que possuem grande importância para a evolução de seu pensamento teórico-estético-político.

Pode-se criticar a apropriação dos conceitos da escola francesa da Análise do Discurso, que são muito bem introduzidas já ao primeiro capítulo mas que pouco ou nada são apropriadas nos capítulos seguintes. De encontro a AD, o autor em geral adere completamente às afirmações literais do diretor e às principais análises de sua obra, produzindo uma profunda apologia ao pensamento teórico-político do diretor. E no embate com as obras cinematográficas, Averbug não recorre à AD, mas, como nos parece mais razoável, utiliza-se de conceitos e ferramentas das teorias do cinema e das análises fílmicas.

Entendemos também que é desnecessário o último capítulo, dedicado às correlações entre o pensamento e obra de Glauber e algumas obras do cinema contemporâneo brasileiro. Não se compreende muito bem às razões de se realizar a comparação na dissertação, pois cremos que o assunto acaba por fugir da bem-vinda coesão do trabalho histórico. Pouco profunda, às relações realizadas neste capítulo acabam também por pouco informar sobre as obras comparadas.


4 comentários:

  1. Theo, considero válido seu esforço em mapear as discussões propostas pelos capítulos das dissertações, analisando a densidade das argumentações propostas para depois analisar as contribuições e limitações apresentadas. Acredito, porém, que faltou relacionar as questões levantadas a seu trabalho. De que modo as contribuições e limitações destas duas dissertações dialogam com seu tema e sua abordagem? Acho que seria interessante analisar como as duas dissertações dialogam entre si e com o seu trabalho.

    Outra questão é em relação às críticas ao segundo trabalho. Algumas delas não parecem bem fundamentadas para os leigos no assunto. Talvez fosse interessante esmiuçar mais...

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  2. Na primeira resenha percebemos como a dissertação busca situar alguns filmes tropicalistas de Glauber na trajetória das artes plásticas brasileiras de vanguarda tendo o cuidado de afastar dessa análise os filmes alegóricos. Pelo pouco que sabemos do seu trabalho podemos afirmar que tal dissertação é uma texto com o qual você deve dialogar. De fato as criticas feitas a dissertação foram pertinentes e, dentro do possível, até bem argumentadas. Por exemplo: a crítica achou um ponto da dissertação que afirma algo sem ter um lastro sustentável para tanto. A saber, sobre a quebra da posição contemplativa do espectador. Você questiona sobre o conceito de performance, ao menos o modo como ele operacionalizado na dissertação, sobre o qual o trabalho tenta sustentar a tese do novo papel do espectador (tese que é faz parte de uma crença sobre movimentos de vanguarda em geral). Aqui poderia levar esse problema até mesmo mais a fundo, pois nessa afirmação subjaz que as obras anteriores e fora do movimento de vanguarda não lidam com uma participação ativa do espectador. Seria possível estender a pergunta faz sobre como a arte de vanguarda instaura essa dimensão participativa ou performática. Não apenas como, mas em quais níveis e intensidade essa participação se dá e da mesma forma deve ser apresentada os argumentos que provem que nesses aspectos a participação do espectador não era convocada anteriormente.
    Bem, seguindo sobre as críticas sobre a dissertação, é apontado vários deslizes que atuam da mesma forma como a noção de performance. Uma simples pontuação de traços nessas obras de Glauber que remeteriam aos discursos das artes de vanguarda. O que apreendo dessa crítica é que a dissertação não faz uma boa argumentação.
    A resenha dessa primeira dissertação conseguiu apresentar o objeto e o modo como foi tradado, mas não consigo ter claro qual o problema que deu início o trabalho e as possíveis respostas. Deduzimos que esse seja um problema da dissertação, mas isso deveria ter ficado mais claro nesse texto. Assim poderia atacar diretamente um problema estrutural da dissertação e oferecer um diagnóstico geral do que atacar os sintomas desse problema que, ao que parece, permeiam todo o trabalho.
    Bem, porém ainda fica uma questão muito mais importante para aquele que pretende realizar um pesquisa tão próxima ao que fora proposto por Elizabeth Real. Por que não foi possível fazer uma plena aproximação de algumas obras de Glauber no contexto dos movimentos de vanguarda? Não que isso não seria possível, acredito que sim apesar de não de estar muito longe de um especialista seja na obra de Glauber ou nos movimentos contemporâneos das artes plásticas. Porém tendo a acreditar que o caminho seguido por Elizabeth Real não foi o mais profícuo e prefiro pensar que não foi por uma inabilidade argumentativa. Gostaria de ver alguma sugestão para essa resposta que não fosse um problema de escritura da dissertação, mas de algo que atinja o ponto metodológico e dos fundamentos teóricos que não permitiram que tal tentativa fosse frutuosa. E se isso já é reconhecido qual a possível solução? De fato, aprender com a experiência dos outros.
    Já pela segunda resenha não encontramos os mesmo problemas na dissertação, até se comenta sobre como os capítulos são “bem amarrados” apensa criticando que em análise não se recorre aos pressupostos da análise do discurso, o que anteriormente fora colocado como marco. Porém a critica de Theo não comenta sobre um pressuposto da análise, o de tomar os textos “teóricos” de Glauber como fundamentos para análise de suas obras. Nesse ponto resta a saber como isso é acionado no trabalho? Se a relação do pensamento teórico de Glauber com suas é obras é problematizada sendo ou não pertinentes e plausíveis? Se tal procedimento é legitimo como análise, etc.? Esse escolha metodológica deveria ser inquirida assim como campos teóricos que tratam disse, como a crítica genética, e que não são contemplados na dissertação ou na resenha.

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  3. Theo você dissecou a dissertação de Real (2008) deixando o texto acessível para aqueles que não dominam o tema. Gostei da forma como você ponderou as partes do trabalho, apontando as qualidades e problemas argumentativos do texto. Percebi também sua intimidade com a temática, exposta em ponderações claras sobre a pesquisa. Percebi que sua maior crítica ao trabalho de Real foi a falta de foco, pois a autora tentou abarcar diversas perspectivas dentro de um escopo amplo de análise. Esta crítica pode servir de reflexão para sua dissertação, na medida em que te ajudará a redefinir a forma de trabalhar o filme Câncer. Ao analisar o texto de Averbug (2002) foi mais sintético, apresentando características do trabalho de forma mais superficial. As críticas sobre metodológica e a forma de texto poderiam ter sido mais exploradas. Nas duas análises feitas senti falta de um paralelo entre sua pesquisa e o trabalho proposto. Ambos os textos têm uma proximidade com a temática desenvolvida na sua pesquisa e acredito que você poderá ampliar algumas lacunas deixadas nos dois trabalhos. Faltou uma sinalização maior dessa possibilidade. Gostei também da sua tendência de distanciamento de uma possível corrente Glauberiana que você apresentou.

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  4. Agradeço ao autor da resenha crítica à dissertação que defendi em 2002 e também aos comentários feitos pelos leitores deste blog. Já distanciado deste trabalho, faço uma autocrítica, concordando com os argumentos do resenhista que detecta a minha adesão "às afirmações literais do diretor e às principais análises de sua obra, produzindo uma profunda apologia ao pensamento teórico-político do diretor".

    Passados doze anos da defesa e após outras leituras/visionamentos, ainda percebo hoje a relevância dos filmes e do pensamento de Glauber Rocha na história do cinema brasileiro. Porém, retomo aqui o conceito de "esquecimento" (da análise do discurso) para afirmar, numa outra perspectiva, que no contexto histórico e tecnológico atuais algumas das ideias e "teses" do movimento cinemanovista - estruturadas e desenvolvidas nos manifestos estudados - desapareceram por um "apagamento" natural, que permitiu o aparecimento de vozes e discursos mais atuais. Não se trata daquele "silenciamento" político, apontado na dissertação, encabeçado pelos opositores que combateriam as posições "de direita" de Glauber, ou advindas dos grupo de cineastas "udigrudis". Ou, ainda, dos que rejeitam o fluxo delirante das narrativas não-lineares dos seus filmes.

    Concordo também que o capítulo final, tentativa de análise de um possível legado de Glauber na "vertente provocativa" do cinema contemporâneo - Sergio Bianchi, especialmente - não rendeu tanto.

    Como apontou Theo Duarte, se há mérito nessa pesquisa acadêmico, ele concentra-se na "coesão do trabalho histórico" e no "delineamento do trajeto teórico-crítico de Glauber por meio de alguns filmes pouco conhecidos do diretor (como História do Brasil), mas que possuem grande importância para a evolução de seu pensamento teórico-estético-político".

    Ficarei feliz se puder ampliar/retomar estas discussões e para isso deixo meu e-mail aos que desejam ler na íntegra esta dissertação.

    Samuel Averbug
    averbug@gmail.com

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