domingo, 8 de maio de 2011

UMA CONVERGÊNCIA DIVERGENTE: a centralidade da TV aberta no setor audiovisual brasileiro

Autora: Suzy dos Santos/ Ano: 2004/ 270 p. (Tese-UFBA)


Santos (2004) aborda a questão da convergência na mídia brasileira a partir da TV aberta e problematiza a sua viabilidade dentro do contexto da radiodifusão, telecomunicações e vontades políticas existentes no país. Sua pesquisa busca apresentar as contradições entre “as previsões convergentes e a concretização de posições divergentes entre estes setores”. A fim de efetivar esta análise ela compila dados sobre leis, concessões e mapeia o cenário, as estruturas do mercado brasileiro de mídia e suas relações político-econômicas. Todo este olhar panorâmico é baseado no enfoque dos estudos de Economia Política da Comunicação, corrente à qual a pesquisadora enfatiza pertencer e trilhar desde o inicio de suas investigações acadêmicas.
A pesquisa foi exposta em quatro capítulos, sendo função dos dois primeiros apresentar o contexto da TV aberta no século XX. No segundo ela anuncia os papéis ocupados pela TV, suas mudanças e tensões no mercado capitalista. A segunda parte contempla uma síntese dos atores públicos e privados e suas correlações na configuração da TV brasileira. Santos apresenta um valioso mapa de vínculos entre o atores da mídia, destacando as relações entre os políticos, os proprietários de TV (em toda sua diversidade, atendendo desde os representante das TVs religiosas aos prefeitos donos de retransmissores de TV no interior do país) e a consequência deste apadrinhamento e lógica econômica para o elo mais fraco desta relação, o público.
A hipótese central do trabalho defende que os laços que envolvem econômica e politicamente a televisão aberta determinaram sua centralidade no sistema audiovisual. “Esta centralidade, consolidada ao longo do tempo foi pautada por duas funções hegemônicas: uma, de integração social e outra, de manutenção da esfera de poder político e econômico”. Esta composição do sistema de televisão representa, segundo a autora,a principal barreira às possibilidades de convergência, dificultando o acesso de novos atores ao acesso universal às novas tecnologias e à re-regulamentação do setor.  Santos assinala que apesar das crises econômicas e do novo cenário de opções de entretenimento advindos com a internet a TV ainda tende a ser hegemônica e determinará condições para a convergência de alguns segmentos da mídia.
A autora conclui que a convergência inevitável das comunicações a partir da TV, divergiu, pela supremacia da TV aberta: “a convergência entre comunicação de massa, telecomunicações e informática não pode ser observada apenas como uma tendência inexorável da tecnologia ou da economia global. As barreiras sociais, políticas e econômicas que estão profundamente arraigadas nos contextos locais não podem ser ultrapassadas sem uma ampla discussão dos elementos compositivos deste panorama que, no caso brasileiro, têm seu âmago definitivo na centralidade da televisão aberta no setor audiovisual brasileiro”.
            A densa discussão feita ao longo do texto sobre a tradição dos estudos de econômica política e a própria contextualização dos cenários e personagens que envolvem a TV aberta e seu mercado demandavam uma análise mais explanatória acerca de questões da convergência e ou de processos referentes à interface da TV com cinema, publicidade, internet e outros suportes multimídia.
O olhar destinado a formação e consolidação dos grupos midiáticos brasileiros, os jogos políticos e econômicos que permeiam esta relação são de grande valia para a pesquisa que desenvolverei ao longo da minha tese. O percurso da autora para consolidação de um banco de dados foi significativo como índice no mapeamento da mídia brasileira (e seus grupos dominantes) nas instituições oficiais como Anatel e Ministério das Comunicações.

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