
O texto de Fernando Morais da Costa tem o mérito de ser pioneiro no estudo de som no cinema. O mestrando tentou traçar um histórico desde a união de som e imagem em um mesmo suporte (na segunda metade da década de 20), defendendo a tese de que no ocidente o som teve o papel de “adendo à imagem” na grande maioria dos filmes e propõe soluções para que o som se liberte do papel secundário que desempenhou no cinema desde então.
É também pelo pioneirismo que o autor peca na necessidade de contextualizar o “som no cinema”, primeiro na ostensiva utilização da imagem como aparato para a descrição das características sonoras na linguagem cinematográfica e, posteriormente, pela forma deslumbrada que apresenta as possibilidades da combinação de som e imagem, listando os principais autores como se fossem “guias” para qualquer composição artística/ narrativa na utilização do som no cinema.
Fernando Morais reclama a importância do som (como o autor Noel Burch), mas não consegue fazer do som o assunto mais importante de seu trabalho. A retórica da “primazia da visão sobre a audição” impede que ele desenvolva o assunto que apenas aponta. As possibilidades da concepção de som na relação de elementos que diferem entre si (som e imagem) não poderiam ser tratadas sem o desenvolvimento do som na prática cinematográfica desde a concepção à mixagem, passando pela captação e mudanças de suporte, de forma a aproximar-se do contexto sonoro do corpus que trabalha.
Ao texto falta despir-se do peso da imagem para entendê-la em relação ao som. A correlação fluida entre os elemento da montagem, com o som “divorciado da imagem visual” - como diziam os russos - a despeito do peso de “natimorto” que o som recebeu na década de 1920, como declara René Clair citado por Fernando.
Não entendendo tanto dessas correntes teóricas relacionadas ao estudo do som no cinema, mas acredito que Morais começou na dissertação por uma linha – relacionando imagem e som –, para apresentar este som "divorciado" do visual em trabalhos posteriores.
ResponderExcluirConcordo com você, quando fala da necessidade de abordar este desenvolvimento técnico do som – mixagem; captação e mudanças de suporte etc – nas práticas cinematográficas. Existem muitos estudos colocando o som como complemento da imagem, porém existem poucas pesquisas que tentam modificar este caráter coadjuvante do som nos filmes. Porém, surgiu uma dúvida quanto ao tema: seria possível esta separação total entre imagem e som em pesquisas sobre cinema?
Não vejo como um pecado a necessidade de se contextualizar o "som no cinema" em relação ao enorme peso das imagens. Não seria esse a própria questão da dissertação? Talvez o som não devesse realmente ser o assunto mais importante do trabalho mas sim esta discussão sobre a (falsa) primazia da visão sobre a audição.
ResponderExcluirComo é um trabalho pioneiro, como você mesmo aponta, creio que a apresentação do problema e a reclamação da importância do som já sejam suficientes; talvez o desenvolvimento da discussão fosse melhor colocada em futuros trabalhos, ancorados por este.
Joyce, no trabalho do Fernando Morais, achei que você perdeu um pouco o tom da crítica e se deteve mais na descrição da pesquisa. Quando você afirma, por exemplo, uma questão importante como o trabalho ser pioneiro no estudo de som no cinema, poderia ter analisado de que forma o autor dialogou com os trabalhos anteriores sobre o cinema e porque ele a que se deve seu pioneirismo. Aqui, geralmente a gente consegue apontar problemas nas análises anteriores sobre nosso objeto. Quando você, no último parágrafo, afirma que “Ao texto falta despir-se do peso da imagem para entendê-la em relação ao som”, precisa embasar esta crítica analisando como o autor se posicionou em relação a esta questão.
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