segunda-feira, 9 de maio de 2011

Som no cinema, silêncio nos filmes: o inexplorado e o inaudito.

autor: Fernando Morais da Costa ano: 2003


(4'33", John Cage)


O texto de Fernando Morais da Costa tem o mérito de ser pioneiro no estudo de som no cinema. O mestrando tentou traçar um histórico desde a união de som e imagem em um mesmo suporte (na segunda metade da década de 20), defendendo a tese de que no ocidente o som teve o papel de “adendo à imagem” na grande maioria dos filmes e propõe soluções para que o som se liberte do papel secundário que desempenhou no cinema desde então.

É também pelo pioneirismo que o autor peca na necessidade de contextualizar o “som no cinema”, primeiro na ostensiva utilização da imagem como aparato para a descrição das características sonoras na linguagem cinematográfica e, posteriormente, pela forma deslumbrada que apresenta as possibilidades da combinação de som e imagem, listando os principais autores como se fossem “guias” para qualquer composição artística/ narrativa na utilização do som no cinema.

Fernando Morais reclama a importância do som (como o autor Noel Burch), mas não consegue fazer do som o assunto mais importante de seu trabalho. A retórica da “primazia da visão sobre a audição” impede que ele desenvolva o assunto que apenas aponta. As possibilidades da concepção de som na relação de elementos que diferem entre si (som e imagem) não poderiam ser tratadas sem o desenvolvimento do som na prática cinematográfica desde a concepção à mixagem, passando pela captação e mudanças de suporte, de forma a aproximar-se do contexto sonoro do corpus que trabalha.

Ao texto falta despir-se do peso da imagem para entendê-la em relação ao som. A correlação fluida entre os elemento da montagem, com o som “divorciado da imagem visual” - como diziam os russos - a despeito do peso de “natimorto” que o som recebeu na década de 1920, como declara René Clair citado por Fernando.

3 comentários:

  1. Não entendendo tanto dessas correntes teóricas relacionadas ao estudo do som no cinema, mas acredito que Morais começou na dissertação por uma linha – relacionando imagem e som –, para apresentar este som "divorciado" do visual em trabalhos posteriores.
    Concordo com você, quando fala da necessidade de abordar este desenvolvimento técnico do som – mixagem; captação e mudanças de suporte etc – nas práticas cinematográficas. Existem muitos estudos colocando o som como complemento da imagem, porém existem poucas pesquisas que tentam modificar este caráter coadjuvante do som nos filmes. Porém, surgiu uma dúvida quanto ao tema: seria possível esta separação total entre imagem e som em pesquisas sobre cinema?

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  2. Não vejo como um pecado a necessidade de se contextualizar o "som no cinema" em relação ao enorme peso das imagens. Não seria esse a própria questão da dissertação? Talvez o som não devesse realmente ser o assunto mais importante do trabalho mas sim esta discussão sobre a (falsa) primazia da visão sobre a audição.
    Como é um trabalho pioneiro, como você mesmo aponta, creio que a apresentação do problema e a reclamação da importância do som já sejam suficientes; talvez o desenvolvimento da discussão fosse melhor colocada em futuros trabalhos, ancorados por este.

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  3. Joyce, no trabalho do Fernando Morais, achei que você perdeu um pouco o tom da crítica e se deteve mais na descrição da pesquisa. Quando você afirma, por exemplo, uma questão importante como o trabalho ser pioneiro no estudo de som no cinema, poderia ter analisado de que forma o autor dialogou com os trabalhos anteriores sobre o cinema e porque ele a que se deve seu pioneirismo. Aqui, geralmente a gente consegue apontar problemas nas análises anteriores sobre nosso objeto. Quando você, no último parágrafo, afirma que “Ao texto falta despir-se do peso da imagem para entendê-la em relação ao som”, precisa embasar esta crítica analisando como o autor se posicionou em relação a esta questão.

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